Sobre vianaan

Engenheiro Mecânico pela Universidade Federal da Paraíba; Engenheiro Eletricista pela Universidade de Pernambuco. Gerente do Serviço de Manutenção de Itaparica - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - CHESF

Brasil holandês

Apesar da reação flamenga, o embargo espanhol conseguiu desmantelar o comércio açucareiro holandês na Europa. Por isso, a Holanda decidiu invadir o Brasil: tentava buscar o açúcar diretamente na fonte produtora, a fim de recuperar seu comércio.

A primeira invasão, realizada sob a a responsabilidade da Companhia das Índias Ocidentais, ocorreu em Salvador, na Bahia, no ano de 1624.

O bispo dom Marcos Teixeira, no entanto, organizou a resistência: mobilizou a população de negros, índios e brancos pobres, convencendo-os a lutar contra o invasor “protestante, infiel e satânico“.

Os holandeses perceberam que dominar a capital da colônia (Salvador) não garantiria a retomada do comércio açucareiro, pois o centro econômico da colônia não era a Bahia, mas Pernambuco. Por isso, a segunda invasão aconteceu em Pernambuco (Recife e Olinda), a maior região de produção açucareira, em 1630. É possível distinguir três fases nessa invasão:

  • 1630 a 1637 – fase da conquista;
  • 1637 a 1644 – fase da acomodação;
  • 1644 a 1654 – fase da expulsão.

Na fase da conquista, os holandeses enfrentaram resistências dos colonos, mas obtiveram a ajuda do português Domingos Fernandes Calabar, que levou os flamengos a obterem importantes vitórias.

Na fase da acomodação, a administração holandesa ficou a cargo do conde Maurício de Nassau, que ofereceu aos proprietários de engenho empréstimos para recuperarem as plantações, maquinaria e escravos. Nassau soube conviver com os colonos católicos, autorizando construções de igrejas e respeitando seus dias sagrados. Promoveu também construções de palácios, pontes, além de trazer cientistas europeus com o objetivo de estudar a terra tropical para melhor dominar as diferenças geográficas e econômicas, tornando mais eficiente a exploração do Brasil.

Nassau procurou uma convivência pacífica com os colonos, conforme convinha aos objetivos da Companhia das Índias Ocidentais, da qual era um dos investidores. A habilidade política de Nassau como governador teve como resultado a retomada da produção a níveis melhores que os da fase da conquista, conseguindo assim aumentar as áreas de plantação.

A partir de 1640, Portugal auxiliado pela Inglaterra, recuperou a autonomia em relação à Espanha, após sucessivas guerras. Os ingleses estavam interessados em monopolizar o fornecimento de manufaturas aos portugueses.

O rei português assinou, então, um acordo com os holandeses, permitindo-lhes permanecerem no Brasil por mais dez anos (até 1650). Em troca, os holandeses continuariam a financiar a produção de açúcar.

Entretanto, começa a haver, nessa época, um declínio da economia holandesa, cuja causa principal foi a guerra entre católicos (sob a liderança da Espanha) e protestantes (liderados pela Holanda). Na verdade, essa luta, aparentemente motivada por razões religiosas, nasceu como uma disputa entre a nobreza feudal (catolicismo espanhol) e a burguesia (protestantismo holandês). O conflito durou de 1618 a 1648, por isso recebeu o nome de de “Guerra dos 30 anos“. Nesse período intensificou-se a luta holandesa pela conquista definitiva da independência em relação à Espanha.

A Holanda buscou obter o máximo de recursos financeiros para enfrentar a crise: elevou a produção e os impostos açucareiros, não tolerou atraso no pagamento dos empréstimos e aumentou os juros dos empréstimos aos colonos brasileiros, governados por Nassau. O governador holandês sabia dos problemas de produção, equipamentos e capitais dos senhores de engenho. Havia muitas dificuldades na colônia, apesar da confiança e do crédito pessoal conquistados por Nassau ao longo dos sete anos de administração colonial no Brasil. Entretanto, as novas exigências da Holanda impossibilitavam a Nassau a manutenção de sua habilidosa política de convivência com os colonos. Alertou então os holandeses, mostrando que a nova orientação econômica provocaria lutas armadas dos colonos contra os flamengos.

Pensamento do dia:

Brasileiros vivem no mundo dos sonhos:

Futebol, Carnaval e Cachaça. Votam nos

piores políticos, para depois criar resenha

sobre política. Não se sabem quem é o pior;

os Políticos ou a imbecilidade brasileira”.

Edson Nelson Soares Botelho

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Açúcar, o negócio dos flamengos

A montagem do empreendimento açucareiro no Brasil contou com o financiamento dos holandeses, pois a burguesia mercantil lusitana estava em crise financeira em decorrência do declínio do comércio de especiarias, nas primeiras décadas do século XVI. Não havia disponibilidade de capitais para bancar a empresa agrícola açucareira. Então, maquinaria para os engenhos (moenda – conjunto de peças de ferro para triturar o açúcar), instrumentos como a enxada e a foice, bem como o tráfico de negros, eram financiados pelos flamengos (holandeses).

A Portugal ficava a tarefa de produzir o açúcar na colônia brasileira. O açúcar saía daqui na forma de rapadura ou melaço. Comerciantes portugueses vendiam esse açúcar para os batavos (holandeses), que executavam o refino do melaço (transformação em pó, açúcar mascavo), comercializavam e distribuíam o produto na Europa.

Assim, as técnicas de produção do açúcar eram dominadas pelos portugueses, mas o refino e o domínio comercial dos mercados europeus pertenciam aos holandeses. Como, pelas leis mercantilistas, a atividade comercial era muito mais lucrativa que a atividade produtora, podemos afirmar que o negócio do açúcar foi, em resumo, mais flamengo que português.

Em 1578, dom Sebastião, o rei de Portugal, desapareceu numa batalha contra os muçulmanos, em Alcácer-Quibir, território africano, e deixou vago o trono lusitano. Filipe II, rei da Espanha e primo de dom Sebastião, reclamou a herança da Coroa portuguesa. No entanto, subiu ao trono de Portugal o cardeal dom Henrique, tio de dom Sebastião e de Filipe II. Tropas espanholas invadiram Portugal e depuseram dom Henrique. Em 1580, Filipe II proclamou a União Ibérica.

A união de Portugal à Espanha durou sessenta anos (1580 – 1640). A União Ibérica, sob o reinado de Filipe II, proibiu a venda do açúcar brasileiro para os holandeses. Proibia-se também aos flamengos realizarem qualquer atividade mercantil em portos portugueses  de todo o mundo. Tropas espanholas controlaram com a força das armas os portos de Portugal, para impedir as possíveis transações comerciais holandesas.

A burguesia flamenga reagiu: contratou piratas para realizar ataques-surpresa às tropas luso-espanholas, visando romper o bloqueio econômico da União Ibérica.

Além disso, os holandeses criaram duas companhias de comércio: a Companhia das Índias Orientais e a Companhia das Índias Ocidentais. A primeira se encarregava do comércio na Malásia e nas Ilhas Molucas (ambas na Ásia). As atividades da segunda você conhecerá no próximo artigo.

Pensamento do dia

“Não culpe os políticos! Eles não têm culpa ! pois se nao fosse você , nem lá estariam”.

Felipe Colombo

Negro: caçado como animal para o trabalho escravo

A mão-de-obra escrava constituiu outro fator de lucratividade para a burguesia mercantil metropolitana. O negro africano era vendido como mercadoria e as classes burguesas traficantes obtiveram com ele altos rendimentos.

Como o objetivo da colonização não era favorecer o desenvolvimento de um mercado interno, o uso da mão-de-obra escrava cumpria a finalidade mercantilista: produzir para o mercado externo, em benefício da metrópole.

O negro ou era caçado como animal pelos comerciantes portugueses com o uso da violência ou trocado com os chefes das tribos por produtos de pouco valor, como fumo, armas de fogo etc.

Nos porões dos navios negreiros (os chamados tumbeiros) a viagem era difícil, havia pouca comida (em geral, banana e água). Eram comuns as epidemias, que chegavam a matar metade dos prisioneiros.

A vida dos negros nas colônias era ainda mais cruel que as viagens. Submetidos, em média, a catorze horas de trabalho diário, poucos sobreviviam mais que cinco a doze anos. Plantio da cana, colheita, moagem eram as atividades cotidianas.  

Os negros são as mãos e os pés dos senhores de engenho.” Essa frase do Jesuíta Antonil – que escreveu sobre as condições sociais, econômicas e políticas do período colonial – expressa a dependência total que os proprietários dos engenhos tinham em relação aos escravos africanos.

Pensamento do dia:

Porque reclamar dos nossos políticos se eles só são o reflexo exato do que nós somos? … Se você não muda, nada muda!

Vinycius Maia

Êxito açucareiro garante colonização

A decisão de colonizar a nossa terra estava intimamente associada à escolha do cultivo de um gênero agrário que trouxesse elevados lucros à Coroa. A ausência de metais preciosos, os baixos recursos obtidos com a extração do pau-brasil e o declínio do comércio de especiarias no Oriente exigiram uma opção agrícola lucrativa. O açúcar foi a escolha portuguesa para o projeto colonizador.

A produção açucareira oferecia várias vantagens:

a) as boas experiências produtivas dos portugueses com o açúcar cultivado nas ilhas de Açores e Madeira;

b) o pequeno tempo gasto entre a produção e a comercialização do produto, em relação aos outros gêneros, permitia que o capital empregado, embora elevado, tivesse retorno rápido;

c) o mercado europeu era garantido porque não haveria concorrentes;

d) a grande quantidade de terras disponíveis no brasil, com solo tipo massapê favorável a essa cultura.

A organização da produção açucareira obedeceu ao esquema de plantation: produção agrícola baseada em latifúndio (grande propriedade), monocultura (somente produção de açúcar), com mão-de-obra escrava, voltada exclusivamente para o mercado externo.

Pensamento do dia:

Sonho com o dia em que os políticos sejam um exemplo para sociedade. E que uma criança tenha a segurança de dizer “Quero ser igual a você quando crescer”.

 

Pedro Felipe B. Silva.


Açúcar: o ouro do Brasil

Brasil: ocupação ou perda?

Depois que os espanhóis encontraram ouro e prata em suas possessões nas Américas, a França resolveu também enviar navios ao Brasil e aqui disputar com Portugal a procura de metais preciosos.

As expedições francesas ao litoral brasileiro provocavam protestos dos portugueses, que reclamavam o acordo estabelecido no Tratado de Tordesilhas. O rei da França – Francisco I – respondeu ao rei português que a França deixaria o litoral do Brasil se Portugal apresentasse o “Testamento de Adão”, em que constasse a doação das terras do Novo Mundo aos espanhóis e portugueses…

Diante de tais ameaças, Portugal decidiu-se, a partir de 1530, a ocupar economicamente o Brasil, colonizando-o. Além das ameaças européias ao Brasil, o comércio das especiarias no Oriente estava enfraquecendo. A concorrência de outras nações da Europa, os altos custos militares e de transporte, a enorme distância entre a Índia e Portugal e principalmente a diminuição dos lucros mercantis foram os fatores decisivos para os lusitanos optarem pela exploração comercial da colônia brasileira.

Por ordem de dom João III, a expedição de Martim Afonso de Sousa ao Brasil, em 1530, visava expulsar os franceses do litoral, observar e relatar cuidadosamente as características geográficas da nova terra e fundar povoamentos. São Vicente (no atual litoral paulista) foi a primeira vila brasileira, fundada em 1532. Após o relatório de Martim Afonso, que mostrava a viabilidade da colonização, e tendo em vista a falta de capital da Coroa, o rei decidiu entregar as despesas da colonização à iniciativa privada.

A divisão da terra em capitanias hereditárias foi o esquema encontrado pela Coroa portuguesa para a ocupação colonial. Eram quinze faixas lineares de terras, entregues a doze proprietários, incumbidos de montar engenhos de açúcar, de pagar ao rei um quinto dos metais preciosos encontrados, e, em troca, o donatário (proprietário da capitania) poderia vender pau-brasil e índios em Portugal. A posse da terra era garantida pela Carta de Doação e pelo Foral.

Os donatários eram capitães com poder de fazer leis, administrar a produção e a renda das capitanias. Esses poderes eram bastante amplos; no entanto, o sistema de capitanias não foi feudal, a mão-de-obra era escrava e a produção visava o mercado externo. A economia da colônia funcionava de acordo com o comércio internacional.

O sistema de capitanias hereditárias foi adotado no Brasil devido ao êxito obtido com um esquema semelhante na produção de gêneros agrários nas ilhas de Açores, Madeira, Cabo Verde, Porto Príncipe e em Angola (todos territórios portugueses no Atlântico). No Brasil, as capitanias tiveram pouco resultado. A falta de recursos financeiros foi a principal causa do fracasso; de resto, a maioria dos donatários nem veio ao Brasil para assumir a colonização.

O fracasso das capitanias determinou a necessidade de substituir a política descentralizada por um centro de unidade política e administrativa. Assim, em 1548, foi criado o Governo Geral. Tomé de Sousa foi o primeiro governador, com a função primordial de ajudar os capitães donatários na produção agrícola. Ao governador geral cabia também combater tribos indígenas rebeldes aos colonizadores, realizar buscas de jazidas de ouro e prata pelo interior e construir navios para a defesa territorial.

Os governadores gerais pouco puderam fazer para estimular a produção e defender as terras brasileiras, dada a enorme extensão territorial e os parcos recursos financeiros que a Coroa enviava.

O poder de fato estava nas mãos dos proprietários de terras – os chamados senhores coloniais -, donos das fazendas de açúcar, movidos a trabalho escravo.

Essa classe social detinha, na prática, o poder local através dos municípios, organizados em câmaras. Nestas, reuniam-se os “homens bons“, isto é, homens de propriedades, para as decisões políticas, administrativas e econômicas do município. Nelas ainda se decidia sobre a declaração de guerra e paz com índios, arrecadação de impostos, catequese, abastecimento de mão-de-obra escrava (negros e índios) para as fazendas.

Pensamento do dia:

Mais vale um eleitor na indecisão do que dois políticos na contramão

Luque Ronald

Açúcar: o ouro do Brasil

Oriente lucrativo

Portugal era um exemplo desse modelo mercantilista. A partir da viagem lucrativa de Vasco da Gama, em 1498, os navegadores portugueses estabeleceram acordos com mercadores da Índia para obter a exclusividade no comércio das especiarias.

Através de guerras colonialistas os portugueses conseguiram garantir o comércio dos produtos orientais. Ouro da África e do Oriente, escravos africanos para a produção açucareira das ilhas do Atlântico, artigos de luxo (perfumes, sedas, tapetes) do Oriente, socorro à escassez de cereais do reino português e da Europa eram alguns objetivos lusitanos no início do século XVI.

Nos primeiros trinta anos após a descoberta do Brasil, Portugal desinteressou-se pela Terra de Santa Cruz e quase a abandonou, pois as especiarias e as manufaturas de luxo do Oriente eram mais lucrativas.

Homens e dinheiro eram decisivos para o domínio militar e o combate aos árabes no controle comercial do Oriente. Isso fazia com que pouco sobrasse para investir na nova terra.

Além disso, os portugueses não haviam encontrado no Brasil nem ouro nem prata, ou outro produto que pudesse ser comercializado no mercado europeu. Mesmo assim, houve várias expedições de reconhecimento do litoral brasileiro. Numa delas, os navegadores descobriram grande quantidade de pau-brasil na Mata Atlântica.

Essa madeira já era conhecida pelos europeus, que a utilizavam como corante na indústria têxtil. Ate então, o produto vinha do Oriente. O rei de Portugal firmou um contrato com mercadores para a exploração do pau-brasil nas novas terras.

O Estado Português comprometeu-se com os mercadores a não importar mais pau-brasil do Oriente. Em troca, eles deveriam enviar navios ao Brasil, construir e manter aqui uma fortaleza e pagar impostos à Coroa. Assim nasceram os “brasileiros” – nome dado aos comerciantes de pau-brasil.

Pensamento do dia:

“Marketing. Aquela coisa que os empresários inventaram e os políticos descobriram”.

Eugênio Mohallem

Colônias de exploração e de povoamento

Nas colônias de povoamento a economia era organizada para atender aos interesses dos colonos, que abandonaram seus países de origem por motivos de perseguição política ou religiosa, ou por condições subumanas de sobrevivência.

Não se deve pensar, no entanto, que se tratava de colônias em que prevaleciam os interesses dos colonizados. Através das colônias de povoamento, o que se visava era a ocupação territorial, ao mesmo tempo que se tentava resolver os problemas sociais, políticos e econômicos das populações pobres da Europa, permitindo-lhes novas alternativas de sobrevivência.

Quanto às colônias de exploração, foram organizadas com a finalidade de suprir a falta de matérias-primas da metrópole. Aqui, a economia obedecia ao que se costumou denominar de Pacto Colonial, que subordinava integralmente à metrópole toda transação comercial (exportação e importação) das colônias. Ou seja, os colonizadores extraíam toda matéria-prima possível das colônias e as obrigavam a importar seus produtos manufaturados.

As colônias de exploração fundamentavam sua economia na extração de metais ou na produção de qualquer gênero agrário, de alto valor mercantil, para ser vendido nos mercados europeus. Produção em latifúndio, especialização em um único produto agrícola (monocultura), emprego de mão-de-obra escrava eram as características desse modelo colonial.

Entender o modelo de colônias de exploração é fundamental, pois ele caracteriza todo um conjunto de colônias, exploradas pelos europeus em várias regiões (África, Ásia e América), que permitiriam o crescimento da acumulação de capitais gerados pelas atividades mercantis monopolistas.

O monopólio da compra dos produtos coloniais permitia à burguesia mercantil adquirí-los a preços baixos. Os lucros eram enormes, pois essas mercadorias eram vendidas a preços vantajosos no continente europeu.

As práticas mercantilistas deram origem à economia pré-capitalista, que se desenvolveu principalmente nos séculos XVI, XVII até fins dos séculos XVIII. A acumulação de capitais comerciais pelas práticas dos mercantilistas foi responsável pela transição do processo produtivo de manufaturas para o desenvolvimento industrial, característico da economia capitalista.

Pensamento do dia:

“Não acredito em discos voadores, não acredito em fantasmas, não acredito na maioria dos políticos, mas acredito piamente que o mal que se faz aqui, se recebe aqui. É por isso que sou um militante do bem”.

Leo Cruz