A busca de novas alternativas

Desde a segunda metade do século XVI, iniciou-se o ciclo do ouro de lavagem. Descobriu-se ouro na própria capitania de São Vicente e depois em Iguape. Os bandeirantes seguiram pelo litoral, encontrando ouro no Paraná e Santa Catarina. Nessa busca ao metal, as bandeiras colonizaram a região paranaense, fundando as vilas de Paranaguá, Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis) e Laguna, na região catarinense, no século XVII.

A exploração aurífera exigia uma regulamentação, e o governo lusitano decretou o Código Mineiro, no início do século XVIII. Por esse código ficou estabelecido que a quinta parte do ouro extraído era da Coroa portuguesa e, ainda, exigiu que o metal fosse fundido em barras em casas especiais, autorizadas pelo governo em Lisboa, para evitar o contrabando.

Elemento essencial à penetração dos bandeirantes pelo interior da colônia, o índio servia como guia na mata, em busca de pedras e metais preciosos. Além disso, senhores de engenho contratavam os bandeirantes para trazer-lhes braços indígenas usados no trabalho agrícola. A busca dos nativos era feita principalmente nas missões jesuíticas, isto é, em regiões controladas pelos padres que realizavam a catequese – ensino da doutrina cristã -, pois lá os índios já estavam “docilmente domésticos” para a exploração escravocrata.

No segundo ciclo dos bandeirantes, de 1617 a 1641 (século XVII), o monopólio do comércio de escravos para o Brasil era feito pela Holanda, que se apossara de territórios coloniais portugueses na África e vendia os negros a altos preços. A essa questão financeira, associaram-se as invasões holandesas no Brasil, de 1624 e 1630, e desorganizou-se o tráfico negreiro. Daí a opção pela escravidão do indígena, que passou a ser uma mercadoria altamente valorizada.

Os conflitos entre os missionários indígenas e bandeirantes foram violentos. Outra prática dos vicentinos era estimular a guerra entre tribos indígenas inimigas. Os perdedores no conflito eram escravizados.

Com a restauração do trono português e a reconquista de domínios portugueses na África  que estavam em mãos holandesas, reinicia-se o abastecimento da mão-de-obra negra nas lavouras brasileiras. Além disso, a crise da produção açucareira portuguesa, em decorrência da produção açucareira das Antilhas flamengas, levou à queda do preço do escravo índio. Todos esses fatores, aliados à escassez do ouro de lavagem, levaram os bandeirantes a se desinteressar pela caça ao índio, trocando-a pelo sertanismo de contrato, que ocorreu desde fins do século XVI até o século XVIII.

Nessa atividade, os bandeirantes eram contratados por senhores de engenho, proprietários, pecuaristas e governadores, para reprimirem as tribos indígenas resistentes à escravização e os negros foragidos das fazendas, os quais se organizavam em quilombos – aldeias negras de ex-escravos que se rebelavam contra a escravidão.

As tribos indígenas lutavam contra a expansão das plantações de açúcar e da pecuária em suas terras nativas. Em relação aos quilombos, os conflitos entre negros e brancos podem ser vistos como lutas da classe escravista pela libertação. Os conflitos foram violentos, o que provocou o extermínio de sociedades tribais indígenas e comunidades quilombolas.

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