Sertão: os caminhos do gado

O GADO PENETRAVA E OCUPAVA O INTERIOR

A economia agroaçucareira foi a base da colonização na América portuguesa, nos séculos XVI e XVII, e o gado dava sustentação local ao açúcar. A criação bovina foi um dos fatores decisivos para a penetração e conquista do interior brasileiro – especialmente o Nordeste.

É possível distinguir três fases da pecuária colonial. A primeira iniciou-se logo após a Descoberta, em 1533, estendendo-se até o começo do século XVII. Engenho e curral faziam parte do latifúndio canavieiro. O gado alimentava a população das fazendas e era usado como força de tração na moagem da cana, além de transportar as caixas de açúcar aos locais de embarque no litoral.

A segunda fase inicia-se nas primeiras décadas do século XVII, com a necessidade de mais terras cultivadas para atender ao crescimento da produção açucareira. A criação de gado amplia-se rumo ao interior, além dos limites agrícolas. Isso ocorreu desde as primeiras décadas XVII até por volta de 1660. Nessa época diminui a produção canavieira, provocada pela concorrência do açúcar antilhano-holandês, e o gado começa a ser uma alternativa econômica para a crise.

A característica marcante dessa etapa é a separação, na mesma fazenda, entre as áreas de cultivo e as de pecuária.

A terceira fase caracteriza-se por uma separação definitiva entre a pecuária e a agricultura. A atividade de criação de gado interiorizou-se pelo sertão. Ampliam-se os rebanhos e as pastagens, marcando duas áreas bem distintas: enquanto o sertão era pastoril, o litoral era agrícola. Apareceram as feiras de gado localizadas entre as áreas pastoris e as agrícolas.

Os sertanejos levavam sua produção às feiras que, com o tempo, foram-se transformando em cidades. Esse período vai da segunda metade do século XVII até fins do século XVIII.

Enfrentando pastos escassos, curtos períodos de chuva, clima quente e seco, o gado penetrava o interior, ocupando as regiões dos futuros Estados brasileiros.

Duas correntes de penetração partiram dos principais centros de atividades açucareira: a baiana, formando os contornos dos cinco “sertões de dentro“, uma área correspondente aos atuais Estados da Bahia, Ceará, Piauí e Maranhão. A corrente pernambucana acaba formando os “sertões de fora“, a região que hoje corresponde aos limites dos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e parte do Ceará e Piauí. Essas correntes seguiam o curso dos rios, para provisão de água.

Em Alagoas, Ceará e, principalmente, no Rio Grande do Norte, desenvolveu-se o extrativismo do sal, criando uma outra opção econômica no século XVIII para os nordestinos. É desse período do século XVIII a criação da “carne-do-ceará“, isto é, da carne-seca, ou carne-de-sol, charqueada no sal ou no sol.

O charqueamento da carne contribuiu para a penetração no interior da colônia, pois possibilitava percorrer distâncias maiores. Os homens poderiam saciar a fome durante vários dias, porque as carnes charqueadas conservavam-se por longos períodos. Esse fato permitiu o surgimento de uma outra atividade comercial voltada para o mercado interno, no qual se integrava a economia da mineração.

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