Rumo ao mar: expansão ultramarina

Como foi dito, o feudalismo em Portugal teve características próprias em relação ao restante da Europa. Em primeiro lugar, o rei centralizava as decisões econômicas estimulando as feiras para trocas comerciais e guardando, em seus armazéns, alimentos para as regiões carentes. Com isso, o rei arrecadava altos impostos, garantindo dinheiro para estimular as atividades mercantis e impulsionar a tecnologia marítima.

Em segundo lugar, a atividade pesqueira lançava os portugueses em direção ao oceano. Inicialmente, apenas com a pesca da sardinha e a extração do sal, depois com a construção de embarcações maiores, para a pesca de atum e bacalhau, até chegar, no século XV, ao desenvolvimento das caravelas, que possibilitaram a caça da baleia e a conquista de novas terras.

Essas peculiaridades feudais associadas à localização geográfica do país, “à beira-mar plantado”, estimularam, a partir do século XIV (1301-1400), o desenvolvimento das ciências náuticas. A construção de caravelas, o aperfeiçoamento do astrolábio (instrumento de medição da altura das estrelas no horizonte para orientar a navegação e a elaboração de mapas) e da bússola propiciaram a Portugal a abertura do comércio com a Inglaterra, França e Países Baixos (Holanda).

No século XV (1401-1500), a Europa apresentava o seguinte quadro: crescimento populacional, deslocamento de servos do campo para a cidade, desenvolvimento urbano, escassez de produtos agrícolas e ampliação comercial. Essa ampliação exigia a expansão em busca de novos mercados produtores e consumidores.

O mar Mediterrâneo estava dominado econômica e comercialmente pelas cidades italianas, em especial Veneza. No século XV, uma Europa necessitada de mercadorias impulsionou Portugal a enfrentar os desafios do oceano para muito além das costas portuguesas, em direção ao sul do Atlântico. Essas viagens ficaram historicamente conhecidas como as Grandes Navegações. Foi o momento da expansão ultramarina. A queda de Constantinopla nas mãos dos turcos, em 1453, e o consequente fechamento da rota terrestre por onde passavam os produtos vindos do Oriente, estimularam ainda mais a busca de um caminho marítimo para as Índias.

Os passos foram lentos. A cada nova conquista ou avanço sobre o oceano, somavam-se novas experiências e conhecimentos:

  • 1415 – conquista do Ceuta, na África, importante base dos mercadores muçulmanos; primeiro porto do Atlântico fora da Europa.
  • 1416 e 1431 – conquista de Madeira e Açores: dois arquipélagos do Atlântico entre Europa e África.
  • 1434 – avanço sobre o cabo Bojador: passagem decisiva para a conquista definitiva da África.
  • 1440 a 1480 – conquista de várias ilhas, entre elas as de Cabo Verde e Porto Príncipe, e regiões do continente africano (Guiné e Angola).
  • 1487 – o navegador Bartolomeu Dias dobra o cabo da Boa Esperança no sul da África: passagem do Atlântico para o oceano Índico.
  • 1498 – Vasco da Gama chega às Índias.
  • 1500 – descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral.

Com a conquista das regiões africanas e asiáticas e a instalação de postos comerciais para as atividades mercantis. Portugal tornava-se a nação mais rica e de comércio mais organizado e lucrativo de toda a Europa do século XV.

As Índias representavam conquista significativa aos cofres do rei português, pois de lá vinham especiarias, pedras preciosas, marfins, perfumes, açúcar, ouro, prata, tecidos, madeira e porcelana, para suprir as necessidades econômicas européias.

A rota das Índias pelo Atlântico era muito mais lucrativa do que pelo Mediterrâneo, que incluía um longo trecho por terra. A primeira viagem de Vasco da Gama foi exemplar para a economia portuguesa: obteve-se um lucro de 6 000%. Veneza jogava no mercado europeu 420 mil libras de pimenta por ano. Vasco da Gama, com um navio apenas, jogou 200 mil libras no mesmo mercado. As viagens pelo Atlântico eram mais longas, mas os lucros compensavam à medida que as transações comerciais cresciam.

Na última década do século XV, Portugal e Espanha eram as duas maiores potências econômicas da Europa. A importância desses reinos pode ser medida pelo Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 com a aprovação do Papa, em que ambos dividiram entre si o mundo conhecido ou o que viesse a ser descoberto: as terras encontradas a leste seriam de Portugal, as terras a oeste, da Espanha.

Pensamento do dia

“O mundo não precisa de bons políticos para ficar melhor, mas apenas seres humanos”

Rafael Charrete

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