Negro: caçado como animal para o trabalho escravo

A mão-de-obra escrava constituiu outro fator de lucratividade para a burguesia mercantil metropolitana. O negro africano era vendido como mercadoria e as classes burguesas traficantes obtiveram com ele altos rendimentos.

Como o objetivo da colonização não era favorecer o desenvolvimento de um mercado interno, o uso da mão-de-obra escrava cumpria a finalidade mercantilista: produzir para o mercado externo, em benefício da metrópole.

O negro ou era caçado como animal pelos comerciantes portugueses com o uso da violência ou trocado com os chefes das tribos por produtos de pouco valor, como fumo, armas de fogo etc.

Nos porões dos navios negreiros (os chamados tumbeiros) a viagem era difícil, havia pouca comida (em geral, banana e água). Eram comuns as epidemias, que chegavam a matar metade dos prisioneiros.

A vida dos negros nas colônias era ainda mais cruel que as viagens. Submetidos, em média, a catorze horas de trabalho diário, poucos sobreviviam mais que cinco a doze anos. Plantio da cana, colheita, moagem eram as atividades cotidianas.  

Os negros são as mãos e os pés dos senhores de engenho.” Essa frase do Jesuíta Antonil – que escreveu sobre as condições sociais, econômicas e políticas do período colonial – expressa a dependência total que os proprietários dos engenhos tinham em relação aos escravos africanos.

Pensamento do dia:

Porque reclamar dos nossos políticos se eles só são o reflexo exato do que nós somos? … Se você não muda, nada muda!

Vinycius Maia

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Êxito açucareiro garante colonização

A decisão de colonizar a nossa terra estava intimamente associada à escolha do cultivo de um gênero agrário que trouxesse elevados lucros à Coroa. A ausência de metais preciosos, os baixos recursos obtidos com a extração do pau-brasil e o declínio do comércio de especiarias no Oriente exigiram uma opção agrícola lucrativa. O açúcar foi a escolha portuguesa para o projeto colonizador.

A produção açucareira oferecia várias vantagens:

a) as boas experiências produtivas dos portugueses com o açúcar cultivado nas ilhas de Açores e Madeira;

b) o pequeno tempo gasto entre a produção e a comercialização do produto, em relação aos outros gêneros, permitia que o capital empregado, embora elevado, tivesse retorno rápido;

c) o mercado europeu era garantido porque não haveria concorrentes;

d) a grande quantidade de terras disponíveis no brasil, com solo tipo massapê favorável a essa cultura.

A organização da produção açucareira obedeceu ao esquema de plantation: produção agrícola baseada em latifúndio (grande propriedade), monocultura (somente produção de açúcar), com mão-de-obra escrava, voltada exclusivamente para o mercado externo.

Pensamento do dia:

Sonho com o dia em que os políticos sejam um exemplo para sociedade. E que uma criança tenha a segurança de dizer “Quero ser igual a você quando crescer”.

 

Pedro Felipe B. Silva.


Açúcar: o ouro do Brasil

Brasil: ocupação ou perda?

Depois que os espanhóis encontraram ouro e prata em suas possessões nas Américas, a França resolveu também enviar navios ao Brasil e aqui disputar com Portugal a procura de metais preciosos.

As expedições francesas ao litoral brasileiro provocavam protestos dos portugueses, que reclamavam o acordo estabelecido no Tratado de Tordesilhas. O rei da França – Francisco I – respondeu ao rei português que a França deixaria o litoral do Brasil se Portugal apresentasse o “Testamento de Adão”, em que constasse a doação das terras do Novo Mundo aos espanhóis e portugueses…

Diante de tais ameaças, Portugal decidiu-se, a partir de 1530, a ocupar economicamente o Brasil, colonizando-o. Além das ameaças européias ao Brasil, o comércio das especiarias no Oriente estava enfraquecendo. A concorrência de outras nações da Europa, os altos custos militares e de transporte, a enorme distância entre a Índia e Portugal e principalmente a diminuição dos lucros mercantis foram os fatores decisivos para os lusitanos optarem pela exploração comercial da colônia brasileira.

Por ordem de dom João III, a expedição de Martim Afonso de Sousa ao Brasil, em 1530, visava expulsar os franceses do litoral, observar e relatar cuidadosamente as características geográficas da nova terra e fundar povoamentos. São Vicente (no atual litoral paulista) foi a primeira vila brasileira, fundada em 1532. Após o relatório de Martim Afonso, que mostrava a viabilidade da colonização, e tendo em vista a falta de capital da Coroa, o rei decidiu entregar as despesas da colonização à iniciativa privada.

A divisão da terra em capitanias hereditárias foi o esquema encontrado pela Coroa portuguesa para a ocupação colonial. Eram quinze faixas lineares de terras, entregues a doze proprietários, incumbidos de montar engenhos de açúcar, de pagar ao rei um quinto dos metais preciosos encontrados, e, em troca, o donatário (proprietário da capitania) poderia vender pau-brasil e índios em Portugal. A posse da terra era garantida pela Carta de Doação e pelo Foral.

Os donatários eram capitães com poder de fazer leis, administrar a produção e a renda das capitanias. Esses poderes eram bastante amplos; no entanto, o sistema de capitanias não foi feudal, a mão-de-obra era escrava e a produção visava o mercado externo. A economia da colônia funcionava de acordo com o comércio internacional.

O sistema de capitanias hereditárias foi adotado no Brasil devido ao êxito obtido com um esquema semelhante na produção de gêneros agrários nas ilhas de Açores, Madeira, Cabo Verde, Porto Príncipe e em Angola (todos territórios portugueses no Atlântico). No Brasil, as capitanias tiveram pouco resultado. A falta de recursos financeiros foi a principal causa do fracasso; de resto, a maioria dos donatários nem veio ao Brasil para assumir a colonização.

O fracasso das capitanias determinou a necessidade de substituir a política descentralizada por um centro de unidade política e administrativa. Assim, em 1548, foi criado o Governo Geral. Tomé de Sousa foi o primeiro governador, com a função primordial de ajudar os capitães donatários na produção agrícola. Ao governador geral cabia também combater tribos indígenas rebeldes aos colonizadores, realizar buscas de jazidas de ouro e prata pelo interior e construir navios para a defesa territorial.

Os governadores gerais pouco puderam fazer para estimular a produção e defender as terras brasileiras, dada a enorme extensão territorial e os parcos recursos financeiros que a Coroa enviava.

O poder de fato estava nas mãos dos proprietários de terras – os chamados senhores coloniais -, donos das fazendas de açúcar, movidos a trabalho escravo.

Essa classe social detinha, na prática, o poder local através dos municípios, organizados em câmaras. Nestas, reuniam-se os “homens bons“, isto é, homens de propriedades, para as decisões políticas, administrativas e econômicas do município. Nelas ainda se decidia sobre a declaração de guerra e paz com índios, arrecadação de impostos, catequese, abastecimento de mão-de-obra escrava (negros e índios) para as fazendas.

Pensamento do dia:

Mais vale um eleitor na indecisão do que dois políticos na contramão

Luque Ronald

Açúcar: o ouro do Brasil

Oriente lucrativo

Portugal era um exemplo desse modelo mercantilista. A partir da viagem lucrativa de Vasco da Gama, em 1498, os navegadores portugueses estabeleceram acordos com mercadores da Índia para obter a exclusividade no comércio das especiarias.

Através de guerras colonialistas os portugueses conseguiram garantir o comércio dos produtos orientais. Ouro da África e do Oriente, escravos africanos para a produção açucareira das ilhas do Atlântico, artigos de luxo (perfumes, sedas, tapetes) do Oriente, socorro à escassez de cereais do reino português e da Europa eram alguns objetivos lusitanos no início do século XVI.

Nos primeiros trinta anos após a descoberta do Brasil, Portugal desinteressou-se pela Terra de Santa Cruz e quase a abandonou, pois as especiarias e as manufaturas de luxo do Oriente eram mais lucrativas.

Homens e dinheiro eram decisivos para o domínio militar e o combate aos árabes no controle comercial do Oriente. Isso fazia com que pouco sobrasse para investir na nova terra.

Além disso, os portugueses não haviam encontrado no Brasil nem ouro nem prata, ou outro produto que pudesse ser comercializado no mercado europeu. Mesmo assim, houve várias expedições de reconhecimento do litoral brasileiro. Numa delas, os navegadores descobriram grande quantidade de pau-brasil na Mata Atlântica.

Essa madeira já era conhecida pelos europeus, que a utilizavam como corante na indústria têxtil. Ate então, o produto vinha do Oriente. O rei de Portugal firmou um contrato com mercadores para a exploração do pau-brasil nas novas terras.

O Estado Português comprometeu-se com os mercadores a não importar mais pau-brasil do Oriente. Em troca, eles deveriam enviar navios ao Brasil, construir e manter aqui uma fortaleza e pagar impostos à Coroa. Assim nasceram os “brasileiros” – nome dado aos comerciantes de pau-brasil.

Pensamento do dia:

“Marketing. Aquela coisa que os empresários inventaram e os políticos descobriram”.

Eugênio Mohallem

Colônias de exploração e de povoamento

Nas colônias de povoamento a economia era organizada para atender aos interesses dos colonos, que abandonaram seus países de origem por motivos de perseguição política ou religiosa, ou por condições subumanas de sobrevivência.

Não se deve pensar, no entanto, que se tratava de colônias em que prevaleciam os interesses dos colonizados. Através das colônias de povoamento, o que se visava era a ocupação territorial, ao mesmo tempo que se tentava resolver os problemas sociais, políticos e econômicos das populações pobres da Europa, permitindo-lhes novas alternativas de sobrevivência.

Quanto às colônias de exploração, foram organizadas com a finalidade de suprir a falta de matérias-primas da metrópole. Aqui, a economia obedecia ao que se costumou denominar de Pacto Colonial, que subordinava integralmente à metrópole toda transação comercial (exportação e importação) das colônias. Ou seja, os colonizadores extraíam toda matéria-prima possível das colônias e as obrigavam a importar seus produtos manufaturados.

As colônias de exploração fundamentavam sua economia na extração de metais ou na produção de qualquer gênero agrário, de alto valor mercantil, para ser vendido nos mercados europeus. Produção em latifúndio, especialização em um único produto agrícola (monocultura), emprego de mão-de-obra escrava eram as características desse modelo colonial.

Entender o modelo de colônias de exploração é fundamental, pois ele caracteriza todo um conjunto de colônias, exploradas pelos europeus em várias regiões (África, Ásia e América), que permitiriam o crescimento da acumulação de capitais gerados pelas atividades mercantis monopolistas.

O monopólio da compra dos produtos coloniais permitia à burguesia mercantil adquirí-los a preços baixos. Os lucros eram enormes, pois essas mercadorias eram vendidas a preços vantajosos no continente europeu.

As práticas mercantilistas deram origem à economia pré-capitalista, que se desenvolveu principalmente nos séculos XVI, XVII até fins dos séculos XVIII. A acumulação de capitais comerciais pelas práticas dos mercantilistas foi responsável pela transição do processo produtivo de manufaturas para o desenvolvimento industrial, característico da economia capitalista.

Pensamento do dia:

“Não acredito em discos voadores, não acredito em fantasmas, não acredito na maioria dos políticos, mas acredito piamente que o mal que se faz aqui, se recebe aqui. É por isso que sou um militante do bem”.

Leo Cruz

Colonização: Serve a quem?

Ouro e comércio na riqueza da Europa

No século XVI, a Europa passava por grandes transformações. A atividade mercantil crescia, forçando os reis a organizarem os Estados Nacionais, através de princípios econômicos que aumentassem suas arrecadações financeiras. Esses princípios eram:

  1. a maior quantidade possível de ouro e prata constituiria a base da riqueza de um país;
  2. o aumento da exportação de mercadorias permitiria acúmulo dos metais preciosos, ou seja, levaria a uma balança comercial favorável;
  3. o protecionismo aos produtos nacionais deveria impedir a entrada de mercadorias iguais ou semelhantes àquelas que o país possuísse;
  4. a transformação das matérias-primas em manufaturas estimularia o industrialismo;
  5. o estabelecimento de colônias para a produção de matérias-primas baratas e a exploração de ouro e prata ajudariam a suprir as necessidades das metrópoles;
  6. o Pacto Colonial (as colônias só podiam comerciar com sua metrópole) e a criação de Companhias de Comércio garantiam o monopólio comercial do sistema colonial. A prática desses princípios ficou conhecida com política mercantilista ou mercantilismo.

A burguesia comercial era economicamente responsável pelas transações mercantis, cujos lucros fortaleceram o poder dos Estados Nacionais. O lema do mercantilismo poderia ser: ouro, poder e glória, ou seja, riqueza, domínio e prestígio.

O sistema de governo baseado economicamente no mercantilismo era o Estado Absolutista – o rei, apoiado pela burguesia comercial, centralizava o poder.

O comércio monopolista (exclusivista) promovido pelo rei e burguesia exigia que estes controlassem suas mercadorias não só em suas nações como também em outras. Essa prática gerou guerras na disputa de territórios comerciais entre os países europeus.

A conquista de colônias tornava-se essencial para o equilíbrio econômico-financeiro das nações européias, pois as colônias poderiam produzir as matérias-primas inexistentes nas metrópoles. Além disso, os territórios colonizados consumiriam as manufaturas produzidas nas metrópoles.

Pensamento do dia

“Acabo de descobrir o que todo mundo já sabia: há dois tipos de políticos no Brasil: O político de antes e o de depois das eleições. Votei num elegi o outro!”

M.M.Soriano

Na poesia a verdade do “Mar Português”

Ó Mar Salgado, quanto do teu sal                                                                     São lágrimas de Portugal!                                                                                   Por te cruzarmos, quantas mães choraram,                                                     Quantos filhos em vão rezaram!                                                                         Quantas noivas ficaram por casar                                                                     Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena                                                                       Se a alma não é pequena.                                                                                 Quem quer passar além do Bojador                                                                 Tem que passar além da dor.                                                                           Deus ao mar o perigo e o abismo deu,                                                             Mas nele é que espelhou o céu.

Os versos do poeta português Fernando Pessoa revelam a força do Atlântico para a vida dos portugueses. O lema da Escola de Sagres e dos navegantes de mares tão desconhecidos e arriscados era: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Navegar era preciso para o enriquecimento do rei e da burguesia mercantil. Viver não era preciso. Preciso era trazer ouro, prata, diamantes, canela, cravo, açúcar para o poder de Portugal, ainda que isso custasse a vida de muitos navegantes.

Pensamento do dia

Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzi-la com sua fama. Mas ela não se deixou achar. Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: “Eu me escondo nas coisas mais simples e anônimas…”

Augusto Cury