Sociedade portuguesa: clero, nobres e povo

Ao longo dos séculos, o território português tinha sido ocupado por gregos, cartagineses (vindos da atual Tunísia, Norte da África), romanos, povos germânicos e árabes. No século XII, os descendentes desses povos estavam socialmente divididos em “grandes“, ou “imunes“, e “miúdos“, ou “vilões“, e “semi-servos“. Os grandes – clero e nobreza – eram imunes porque os rendimentos de seus bens estavam isentos de quaisquer pagamentos aos reis.

Os homens do clero (padres, bispos, arcebispos) eram os únicos da população cristã que tinham cultura literária. Eram também os mais bem organizados da sociedade portuguesa. Como a Igreja representava Deus, que estava acima de reis, nobres e camponeses, o clero tentava sobrepor-se ao poder real. Os reis fizeram então uma política de conciliação com a Igreja, reconhecendo suas propriedades, aceitando a cobrança do dízimo e concedendo-lhe o direito de cunhar moedas.

Os vilões compreendiam vários grupos sociais. O vilão do campo trabalhava em qualquer lugar e pelo preço que combinava. O vilão rico do campo tinha cavalos, armas e roupas adequadas para a guerra, enquanto o pobre fazia o serviço militar a pé. O vilão da cidade era o mercador. Ao longo dos séculos XII e XIII, e, principalmente, a partir dos séculos XIV e XV, esses mercadores constituíram as classes burguesas.

Os servos eram homens ligados à terra. Embora não fossem escravos – não podiam ser vendidos -, os servos faziam parte das terras conquistadas ou doadas pelo rei a algum nobre. Tinham a subsistência garantida pelo senhor, mas nada recebiam por seus serviços. No caso de Portugal, os servos, a partir do século XII, foram se transformando em colonos livres, ou semi-servos, pois passaram a receber dinheiro (moedas) pelo trabalho produzido.

Essa evolução foi consequência indireta dos constantes ataques árabes, que obrigavam as populações portuguesas a organizarem a economia de maneira centralizada. Essa centralização precoce em relação aos outros reinos europeus colocou o rei como organizador da economia em Portugal.

Desde o século XII (1101-1200), a carência de mão-de-obra tornou-se o maior problema para a produção de alimentos. A solução encontrada pelo rei foi transformar o servo em semi-servo ou colono livre, pagando-lhe um salário de acordo com sua produtividade e assim evitando que ele se deslocasse para as regiões litorâneas, onde poderia se dedicar com vantagem à pesca. Nesse sentido, o feudalismo português foi diferente do das outras regiões da Europa, onde um servo não se confundia com um colono livre.

Nas terras de propriedades dos reis trabalhavam os rendeiros, isto é, homens que cultivavam a terra em troca de gêneros alimentícios e, principalmente, de dinheiro.

Os reis estimulavam ainda as feiras, isto é, a troca de mercadorias. Chegavam mesmo a obrigar os produtores agrários a comparecerem às feiras, sob pena de pesadas multas, perseguições e confiscos dos gêneros agrícolas.

Além disso, os armazéns reais, sempre com abundância de mercadorias, regulavam os estoques para o consumo. Dessa forma, evitavam-se os problemas de desequilíbrio entre regiões mais e menos produtivas. A produção de arroz, azeite, vinho, trigo e algodão (matéria-prima para tecidos) estava integrada ao esquema de controle de produção/comercialização comandado pelos reis.

Pensamento do dia 

“O problema não está nos políticos do país; está na ignorância do povo”.

Kléber Novartes

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