A Península Ibérica

O nascimento de Portugal

A formação do ESTADO NACIONAL DE PORTUGAL está intimamente ligada à história da formação da Espanha. Os pequenos reinos cristãos visigóticos formados na Península Ibérica (Espanha e Portugal) foram alvo, durante séculos, das invasões muçulmanas. A unificação desses reinos relaciona-se à reconquista dos territórios dominados pelos muçulmanos.

No século VIII os árabes, no seu processo de expansão, controlaram a Península Ibérica, que passou a fazer parte do grande Império Islâmico. Do século VIII ao século XV, o modelo da economia árabe estimulou o comércio, intensificando a vida urbana, e permitindo o desenvolvimento de uma ativa burguesia composta por judeus, árabes, muladis (cristãos convertidos à religião islâmica) e moçárabes (cristãos que se dedicavam à atividade mercantil, aceitando a dominação muçulmana).

A Guerra da Reconquista faz parte do amplo movimento das Cruzadas, que na Península Ibérica teve por objetivo retomar os territórios ocupados pelos mouros (árabes do Norte da África). A luta, que durou séculos, ajudou a criar um espírito de nacionalidade entre os cristãos ibéricos. No século XI, quando se inicia a guerra, unem-se para combater o inimigo comum os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão. Ao reino de Leão ligavam-se os condados de Galiza e Portucalense. Este último, no bojo da luta contra os árabes, tornar-se-ia um reino independente já no século XII.

Vários nobres europeus, como os fidalgos franceses da casa de Borgonha, ajudaram o rei Leão a expulsar os mouros de seus domínios. Como recompensa, Raimundo e Henrique de Borgonha receberam terras e a mão das filhas do rei. Raimundo casou-se com dona Urraca e ganhou a Galiza (norte da Espanha). Henrique casou-se com dona Teresa e herdou o Condado Portucalense. Ambos deviam fidelidade ao rei Leão. Com a morte de dom Henrique (1112), dona Teresa assume o poder e procura procura manter a autonomia do condado.

No entanto, essa autonomia só foi consolidada por seu filho, Afonso Henriques, que que passou a lutar mais decisivamente pela separação do condado em relação a Leão.

Após várias batalhas, Afonso Henriques consolidou a indepedência de seus domínios, assumindo o título de rei de Portugal em 1139, título esse reconhecido pelo rei de Leão em 1143 e confirmado pelo Papa em 1179.

Os reis que se seguiram a Afonso Henriques conseguiram manter a autonomia de Portugal em relação ao reino de Leão, ao mesmo tempo que perseguiam a luta contra os mouros. Na defesa da autonomia e consolidação do novo Estado soberano, a população portuguesa teve participação decisiva, pois, sem a presença das classes produtoras (camponeses), os reis não conseguiriam assegurar a independência.

Em meados do século XIII, com a expulsão dos muçulmanos (1249), e o fim das querelas fronteiriças com Leão e Castela (1267), Portugal estava de posse de seu território definitivo. Os outros reinos da Península Ibérica, no entanto, prosseguiriam na luta contra os mouros até o século XV, e o Estado espanhol unificado só se completaria em 1515, com a anexação do reino de Granada.

Pensamento do dia

“Os pobres não foram feitos para a política, mas para sustentar o poder dos políticos”.

Ilário Dias Cardoso Filho

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