Crise: terra ou dinheiro?

Se o século XIII representou para a Europa um lento mas seguro desenvolvimento mercantil, o século XIV foi um período de crises sucessivas. Os servos, atraídos pelas atividades mercantis, transferiram-se gradativamente para as cidades, gerando falta de mão-de-obra. Mais do que isso, o uso contínuo e excessivo das terras provocava a diminuição da produtividade agrária. Os resultados não podiam ser outros: fome, desemprego, revoltas, epidemias.

Devido a todas essas dificuldades, o século XIV marcou o início da desarticulação da forma de organização feudal. A sociedade passou por uma crise geral, de repercussões irreversíveis, cujas causas podemos assim resumir:

  1. desequilíbrio entre produção agrária e consumo de mercadorias, gerado pela incapacidade de aumentar a produção;
  2. aumento da fome, ocasionando crescimento da mortalidade;
  3. diminuição populacional agravada pelas pestes e epidemias (na metade do século XIV, uma epidemia de peste bubônica, conhecida como a “peste negra”, dizimou um terço da população européia};
  4. em consequência, diminuição do mercado consumidor e da mão-de-obra;
  5. frequência de guerras entre as regiões européias, como a dos Cem Anos (1337 – 1453), entre França e Inglaterra, e revoltas camponesas (servos), como a de 1831, na Inglaterra, gerando a desorganização da produção e do comércio, o declínio populacional e o crescimento dos impostos para a tender aos gastos militares.

Como consequências dessa crise geral do feudalismo, temos:

  1. o enfraquecimento dos senhores que formavam as classes dos nobres, provocado por disputas econômicas;
  2. o crescimento da burguesia e o fortalecimento de uma organização política centralizadora para melhor explorar o comércio;
  3. a associação de interesses mercantis com a centralização do poder provocando o apoio da burguesia aos reis (nobres mais ricos e vencedores das guerras entre senhores);
  4. a nobreza enfraquecida pelas sucessivas lutas lentamente obrigada a aceitar sua integração ao Estado Nacional – criado pelo apoio da burguesia mercantil aos reis.

Do século XI ao XIII, a riqueza de um nobre media-se pela quantidade de terras e servos em suas propriedades. Já no século XIV, a quantidade de terras ainda era importante, mas havia necessidade de dinheiro, que poderia ser obtido através de transações comerciais ou da arrecadação de impostos. Para aumentar sua riqueza, alguns senhores começaram a se associar com os burgueses que dominavam o comércio da região, desenvolvendo-se assim um território demarcado pelas atividades comerciais e produção agrícola. Nobreza enfraquecida, crescimento econômico da burguesia, desenvolvimento do reino e centralização do poder nas mãos dos reis foram as bases para o surgimento do Estado Nacional Moderno, dentre os quais o primeiro a se consolidar foi Portugal.  

Pensamento do dia 

“Os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento”.

Philip Chesterfield   

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